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| Foto Fabiane de Paula. |
Um
esgoto que passa na porta carrega com ele diversos direitos violados –
entre eles o óbvio, à saúde, e outro gigante, à educação. Quem não tem
acesso a saneamento básico no Ceará chega à vida adulta com quase dois
anos de estudo formal a menos do que quem tem. Uma desigualdade que
impacta todo o curso da vida.
Cearenses
com acesso a água potável e à rede de coleta e tratamento de esgoto
estudam, em média, durante 8,52 anos. Entre os que não têm a salubridade
garantida, o tempo cai para 6,89 anos – 1,63 a menos.
O
dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de
2024, e consta no Painel Saneamento Brasil, do Instituto Trata Brasil
(ITB). A instituição alerta para os sérios impactos da saúde pública na
educação – principalmente entre crianças e adolescentes.
A
explicação é simples: “pessoas sem acesso a saneamento têm um índice
maior de doenças como leptospirose, esquistossomose, diarreia e dengue,
que causam prejuízo no desenvolvimento físico, intelectual e neurológico
das crianças”, aponta Luana Pretto, presidente executiva do ITB.
A
janela mais perigosa é a da primeira infância, de 0 a 2 anos. “É quando
praticamente 80% do desenvolvimento cerebral acontece. Se não tem
acesso a água tratada e coleta e tratamento dos esgotos, esse bebê vai
gastar energia tentando sobreviver, que poderia estar sendo utilizada
para o estabelecimento das conexões neurais”, adiciona Luana.
2 a 3 dias é o tempo que uma criança fica afastada da escola a cada episódio de diarreia, como calcula estudo do Trata Brasil.
“Isso
prejudica o aprendizado, principalmente em áreas exatas, como
matemática, e desmotiva a criança. Ela vai ter maiores dificuldades de
atingir alguns marcos de desenvolvimento”, analisa a especialista.
A
diferença de escolaridade média entre crianças que têm acesso ao
saneamento (9,5 anos) e as que não têm (7,5 anos) é de dois anos no
Brasil. O Ceará, então, tem uma desigualdade ligeiramente menor que a
média nacional.
