
A
partir desta segunda-feira (14), o gás de cozinha está mais caro. O
preço médio de GLP sofreu reajuste de 5,9% nas distribuidoras, passando
para R$ 3,40 por quilograma (kg), o que representa aumento médio de R$
0,19 por kg. A Petrobras anunciou o aumento na última sexta-feira (11).
Antes
deste último aumento, o botijão de 13 kg já podia ser encontrado por
mais de R$ 100 na cidade de São Paulo. Na região Norte da capital, por
exemplo, o preço chegava a R$ 113. Em maio, o preço do gás de cozinha
subiu 1,24%, em média, em todo o Brasil, segundo o IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística). Já o gás encanado teve aumento
de 4,58%.
Vale
dizer que a conta de luz subiu 5,73% e a conta de água e esgoto teve
aumento de 1,61%, o grupo Habitação foi o que teve mais impacto no IPCA
(Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em maio, sendo responsável pelo
incremento de 0,28 percentual. No mês passado, a inflação oficial do
Brasil avançou 0,83%, a maior taxa para o mês desde 1996.
Nesta
sexta, a Petrobras também anunciou redução de 2% da gasolina nas
refinarias, a partir de sábado (12). O preço médio do diesel, por sua
vez, não sofrerá alterações.
“Importante
reforçar o posicionamento da Petrobras que busca evitar o repasse
imediato para os preços internos da volatilidade externa causada por
eventos conjunturais. Nossos preços seguem buscando o equilíbrio com o
mercado internacional e acompanham as variações do valor dos produtos e
da taxa de câmbio, para cima e para baixo”, afirmou a companhia, em
comunicado.
A
Petrobras reforçou ainda que “os valores praticados nas refinarias são
diferentes dos percebidos pelo consumidor final no varejo”. A empresa
lembra que até chegar ao consumidor são acrescidos “tributos federais e
estaduais, custos para envase pelas distribuidoras, além dos custos e
margens das companhias distribuidoras e dos revendedores”.
Perspectivas do preço
Para quem se pergunta se o preço do gás vai cair, o cenário não é tão animador assim.
Primeiro,
temos que entender os fatores que determinam o preço do gás no Brasil. O
economista e professor da FGV-RJ (Fundação Getulio Vargas) Mauro
Rochlin conversou com o CNN Brasil Business para explicar a formação de
preço do combustível.
O
gás de cozinha ou encanado é um derivado do petróleo. Portanto, o preço
do combustível fóssil é o principal fator para a formação de preço do
botijão. E é aí que a coisa começa a ficar complicada.
O
barril do petróleo Brent era negociado a US$ 72,40 nesta quinta-feira,
muito próximo do patamar pré-pandemia –em 20 de maio de 2019, a cotação
alcançou US$ 72,83. No período mais agudo da recente crise econômica, o
preço do barril do Brent chegou a afundar para US$ 22,74.
Portanto, se o petróleo está mais caro, o gás na sua cozinha também ficará.
Ainda
é preciso considerar que a commodity é negociada em dólares. Hoje, cada
dólar vale cerca de R$ 5. É verdade que o real está se valorizando ante
a moeda norte-americana, mas a alta do preço do petróleo vem anulando
este que seria um fator positivo no preço do gás.
O
governo interveio e zerou a alíquota de PIS e Cofins que incide sobre o
gás de cozinha, mas a redução no preço não chegou ao consumidor porque
as empresas aproveitaram para ter alguma margem de lucro.
“Muitas
companhias já avisaram que, analisando a planilha de custos, não
poderão repassar a queda do imposto, ou seja, a medida só vai ajudar a
aumentar a lucratividade das distribuidoras”, disse, em março, o
presidente da Associação Brasileira dos Revendedores de Gás Liquefeito
de Petróleo (Asmirg), Alexandre Borjaili.
Com informações da CNN Brasil.