
E o
resultado deu positivo. O engraçado é que eu estava supertranquila,
trancada em casa. Achava que não tinha a menor chance de ter contraído
essa gripe.
Quando soube que estava com o vírus, entrei em pânico! Eu só
tinha saído de casa duas vezes: uma para ir ao oncologista e outra para
tomar as injeções. Antes mesmo do uso obrigatório da máscara, até para
ir à lixeira, saía com o rosto protegido, e com luvas. Mas o coronavírus
é traiçoeiro. Meu médico disse que, provavelmente, ele veio em alguma
compra do mercado ou da padaria.

É o quinto câncer que enfrento. Já lutei contra um linfoma aos 18
anos. Com 37, tive tumores na mama e na tireoide. E, ao completar 43,
encontraram outro carcinoma na mama. Em todos eles, apesar do baque
enorme com o diagnóstico, sabia que, de alguma forma, tinha tratamento.
Eu seguia direitinho as recomendações dos especialistas, cuidava da
alimentação e tinha noção de que, se fizesse a minha parte, e com a
ajuda de Deus, claro, tudo sairia bem. Receber o resultado positivo para
a síndrome respiratória aguda grave foi muito difícil. O.k., fui
contaminada, e, agora, como cuido disso? Os médicos não sabem. É uma
doença que não tem o que a gente fazer.
É ficar em casa e observar os
sintomas. Nunca me senti tão impotente na vida. Nem com os cânceres
fiquei assim. Como disse, eu me sinto cuidada já que posso fazer
quimioterapia, tomar injeções, fazer exames de imagens. E com o
coronavírus? É só rezar para não ter complicação alguma.