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Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Ela
esclarece que, inicialmente, a bebida parece trazer euforia, mas que,
depois, diminui a ativação do freio do cérebro, chamado de lobo
pré-frontal. As pessoas ficam com efeitos de mais sedação, mas um efeito
colateral é o aumento da impulsividade. E ficando sem freio, pode
ocorrer um aumento de violência doméstica e de feminicídio, porque a
pessoa está trancada em casa.
“Como essa
parte do freio do cérebro não está funcionando muito bem, a pessoa fica
mais impulsiva, mais intolerante. Se houver intervenção de alguém da
família no sentido de parar de beber, isso por si só já gera um
descontentamento e uma reação”, advertiu a presidente da Abead.
Há uma
semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também manifestou a sua
preocupação. “O álcool não protege contra a covid-19, o acesso deve ser
restrito durante o confinamento” é o título de um artigo que a entidade
publicou em seu endereço oficial na internet.
Renata
Brasil Araújo destacou que o crescimento do consumo de álcool doméstico
acontece em um momento de isolamento, quando o acesso ao tratamento de
dependências químicas está mais difícil. Além disso, segundo ela,
algumas pessoas que aumentaram o consumo da bebida durante a reclusão
podem manter esse hábito pós-quarentena e, a longo prazo, isso pode vir a
se transformar em uma dependência, que tem um componente
biopsicossocial.
“Aquelas
pessoas que já têm uma vulnerabilidade biológica e uma predisposição
genética para o alcoolismo, junto com uma capacidade emocional mais
frágil estão mais suscetíveis a seguirem bebendo após a quarentena e se
transformarem em dependentes do álcool, sim”, analisou.
Atendimento on-line
Preocupada
com o crescimento do consumo do álcool no país, a Abead lançou a
campanha #sejaluz, para mostrar coisas positivas na internet, como os
botecos virtuais, e orientando a respeito dos cuidados não apenas com o
álcool, mas com o tabaco e outras drogas nessa fase de quarentena.
“Porque é algo que a gente, provavelmente, vai pagar um custo para isso”
acrescenta Renata Brasil Araújo.
Em outra
frente, a Abead montou um trabalho voluntário com psiquiatras associados
para atender, gratuitamente, até o próximo dia 26, dependentes químicos
e seus familiares, pelas redes sociais. O foco são as pessoas de baixa
renda que não teriam acesso a tratamento no curto prazo e que na ação
recebem orientação em casa.
O serviço é acessado no 'Facebook' e no 'Instagram', da associação, ou pelo número de 'Whatsapp': 51-980536208.
Onde as
pessoas podem marcar consulta e recebem o telefone do terapeuta,
psicólogo ou psiquiatra. O atendimento é diariamente, de 8h às 22h.