
Procedimentos de averiguação e revisão cadastral também serão interrompidos.
A portaria foi assinada hoje pelo ministro da Cidadania, Onyx
Lorenzoni, e publicada em edição extra do Diário Oficial da União. A
medida, segundo o comunicado, foi adotada para evitar impactos ainda
mais profundos nas famílias por conta do avanço do novo coronavírus no
País.
Apesar de a ação integrar o plano do governo de combate ao novo
coronavírus, a pasta contrariou o que tem sido a prática nos anúncios de
medidas do governo, que é a realização de entrevistas coletivas à
imprensa ou, mais recentemente, transmissões online, com possibilidade
de perguntas feitas pelos jornalistas.
No início da semana, o governo chegou a anunciar uma injeção de recursos no Bolsa Família, no total de R$ 3,1 bilhões,
mas a divulgação coube ao Ministério da Economia. O anúncio foi feito
em entrevista coletiva concedida por integrantes da equipe econômica.
No mesmo dia, Onyx, que não participou do anúncio, comemorou no Twitter
que os recursos permitirão incluir mais 1,2 milhão de famílias que
aguardavam na fila do programa. Hoje, na nota, ele celebrou a liberação
novamente. "Isso praticamente zera a fila existente", disse o ministro
na nota.
O Ministério da Cidadania é a pasta responsável pela gestão do Bolsa
Família. Nas últimas semanas, o órgão esteve na berlinda após o
Estadão/Broadcast revelar que as novas concessões de benefícios em
janeiro priorizaram famílias do Sul e do Sudeste, enquanto apenas 3%
foram para o Nordeste, região que tem a maior proporção de famílias em
situação de pobreza e extrema pobreza no País sem atendimento do
programa.
Após a reportagem, o Ministério Público do Tribunal de Contas da União
(MP-TCU) e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério
Público Federal (PFDC-MPF) pediram explicações. O ministro iria esta
semana ao Senado para participar de uma audiência pública sobre o tema,
mas a crise do novo coronavírus acabou atrapalhando o cronograma.