Antes mesmo de ser boicotado pela Federação Mineira, o que era favas contadas, o São Paulo já se antecipou e resolveu não disputar a Taça Belo Horizonte Júnior, segundo principal torneio da categoria na temporada. A alegação dos dirigentes são-paulinos deverá ser a concorrência de datas com o Campeonato Paulista Sub-20, o que já ocorreu em anos passados e não fora motivo. O Terra apurou, porém, que a principal razão para não jogar a Taça BH é o desentendimento público com o Atlético-MG, que divide o protagonismo da competição com o Cruzeiro. São-paulinos e atleticanos, curiosamente, decidem seu futuro pela Copa Libertadores na noite desta quarta-feira no Estádio Independência.
Diretor de futebol e também responsável pelas divisões de base do São Paulo, Adalberto Baptista afirmou que André Figueiredo, responsável pelo departamento amador do Atlético-MG, havia pedido emprego em Cotia e também tinha relações estreitas com empresários. As declarações de Adalberto não foram bem recebidas na Federação Mineira, organizadora da Taça BH. “Eles (São Paulo) depreciaram o dirigente atleticano e a situação ficou insustentável. Os organizadores ficaram transtornados”, disse ao Prata da Casa um agente próximo da Federação.
Ciente de que não seria chamado para a disputa da Taça BH, o São Paulo decidiu por se manter distante do torneio mineiro. “Essa questão de datas alegada é uma desculpa deles”, afirmou o atleticano André Figueiredo ao Terra. “É bom que não será preciso haver o boicote. Não queremos o São Paulo fora dos torneios, queremos que parem de aliciar jogadores. Temos provas disso. Temos prova de que ligam para pais de jogadores de outras equipes. Não é nada contra a instituição, é contra funcionários ruins”, acrescentou André.
Ele é um dos líderes do movimento de coordenadores da base de grandes, médias e pequenas equipes brasileiras que reprovam a conduta do São Paulo no mercado de jogadores ainda em período de formação. Pelo grupo, André Figueiredo foi destacado para intermediar as conversas com os organizadores da Taça BH. A eles, o dirigente do Atlético-MG já havia levado a posição de que, feito o convite ao São Paulo, haveria um movimento dissidente de outros clubes. Palmeiras, Santos, Fluminense, Botafogo, Vasco, Bahia, Vitória, Coritiba e Grêmio, entre outros, compõem a linha de frente.
Enquanto abdica da Taça BH, o São Paulo se movimenta para tentar disputar a Copa 2 de Julho Sub-17, realizada em território baiano e organizada pelo Governo do Estado da Bahia. Nos bastidores, duvida da força do movimento dos clubes diante de um torneio organizado pelo poder público. “Ficou uma situação desagradável para nós, já que o São Paulo é um bom parceiro”, diz Sinval Vieira, funcionário da Secretaria de Esportes do Estado da Bahia. “Nos próximos dias, teremos uma reunião com nosso colegiado para decidir o que fazer. É uma decisão política. Bahia e Vitória não querem jogar com o São Paulo”, confirma. Os são-paulinos venceram o torneio em 2011, por sinal.
Os próximos capítulos devem colocar à prova a força do movimento dos clubes contra o São Paulo, que também observa nesse sentido. Corinthians e Flamengo, porém, não se mostram engajados por completo. O presidente corintiano Mário Gobbi desautorizou qualquer tipo de boicote ao rival, ainda que tenha perdido Bruno Dip (/98), lateral da Seleção Sub-15, para os são-paulinos. O Fla também evitou o choque e optou pela demissão de Carlos Brazil, diretor da base durante a gestão de Patrícia Amorim e que seguia no cargo. Brazil havia se posicionado de forma agressiva em relação ao São Paulo, o que irritou seus superiores. Já limitado na Gávea pela troca de direção, foi demitido.
A CBF, que teve papel mais objetivo em situação semelhante recente contra o Atlético-PR, acompanha o movimento contra o São Paulo de forma mais distante. Não é esperado pelos clubes que a Confederação tome a frente para regulamentar as transferências – curiosamente, o código de conduta foi criado por Ney Franco, então diretor da base, em 2011.