O ator Chadwick Boseman, estrela de Pantera Negra (2018), morreu na última sexta-feira (28), os 43 anos, por causa de um câncer de cólon. Ele foi diagnosticado em 2016.
O astro, que protagonizou o primeiro filme com um super-heroi negro da
Marvel, chegou a aceitar outros papéis enquanto estava doente e nunca
falou publicamente sobre o assunto.
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"O câncer colorretal é uma doença bastante frequente. Ela compromete a
região do intestino grosso [cólon] e do reto [final do intestino, antes
do ânus]", explica o oncologista Artur Rodrigues Ferreira, do CPO
(Centro Paulista de Oncologia)/Oncoclínicas). Ele acrescenta que existem
diferenças entre os tumores que atingem o cólon e o reto, mas ambos são
estudados em conjunto.
Este é o terceiro tipo de câncer mais comum em homens, e o segundo em
mulheres, com exceção do câncer de pele não melanoma. São estimados
40.990 novos casos em 2020 - 20.520 em pessoas do sexo masculino e
20.470 em pessoas do sexo feminino. Neste ano, a incidência deste tumor
deve ultrapassar a do câncer de pulmão (17.760). Os dados são do INCA
(Instituto Nacional do Câncer).
Ainda de acordo com o instituto, o câncer colrretal foi a terceira
causa de morte por câncer no Brasil em 2018. Nos Estados Unidos, ele
está em segundo lugar, segundo relatório da American Cancer Society. Apesar disso, é frequentemente curável.
"É um câncer mais comum em pacientes acima dos 50 anos, mas há aumento
[de casos] em pacientes mais jovens, embora os números absolutos sejam
pequenos", destaca Rodrigues.
Ele cita estatísticas de uma pesquisa publicada em 2015 na revista científica JAMA Surgery:
até 2030, a taxa de incidência aumentará em 90% (colón) e 124% (reto)
para pacientes de 20 a 34 anos e em 27,7% (cólon) e 46% (reto) para
pacientes de 35 a 49 anos.
Negros são mais atingidos
Além da idade, o sobrepeso, a obesidade e um estilo de vida não
saudável - o que inclui sedentarismo e alimentação inadequada - são
fatores que contribuem para o desenvolvimento do câncer colorretal.
"Dietas ricas em carne vermelha e processadas [salsisha, linguiça,
bacon], consumo excessivo de álcool, tabagismo e o diabetes aumentam o
risco", ressalta o especialista.
Quem tem doenças inflamatórias do intestino ou hereditárias -
como Síndrome de Lynch e polipose adenomatosa familiar (FAP) - também
deve ficar atento. "Essas síndromes se relacionam ao surgimento de
tumores no intestino", completa.
Ainda segundo o relatório da American Cancer Society, negros são mais
atingidos pelo câncer colorretal. De 2012 a 2016, a taxa de novos casos
em negros não hispânicos foi de 45,7 por 100.000, cerca de 20% maior do
que a taxa entre brancos não hispânicos.
"Os dados aqui são menos categóricos. Mas a população negra está
associada ao maior risco. Não há evidências precisas se por razões
biológicas ou devido ao menor acesso a serviços de saúde e rastreamento
por questões socioeconômicas", pondera Rodrigues.
Tumor pode não dar sintomas
O oncologista afirma também que este tipo de câncer pode ser silencioso
ou ter sintomas variáveis. "Podem ser [pacientes] assintomáticos e
descobrirem durante uma tomografia de abdome feita por outra causa",
exemplifica.
"Há sintomas inespecíficos, como fraqueza, mal-estar e mudança de
hábito intestinal, com diarreia e constipação [intestino preso], ou
sintomas mais graves, como sangue nas fezes, anemia sem causa aparente,
obstrução e perfuração intestinal, por conta do crescimento do tumor",
descreve.
Rodrigues enfatiza que o rastreamento - ou seja, a avaliação para
identificar uma doença que ainda não se manifestou - é muito importante
para o diagnóstico precoce. "O rastreio deve ser feito a partir dos 50
anos. Iniciativas mais recentes recomedam indicam aos 45 anos. Mas
pessoas com mais risco [que têm as doenças inflamatórias e hereditárias
já citadas] devem começar antes".
Motivo de constrangimento
O oncologista explica que o diagnóstico se inicia, principalmente, por
meio de um exame chamado colonoscopia. "É um exame extremamente
importante para a detecção precoce e prevenção, pois ele permite
identificar e remover pólipos [lesões benignas que crescem na parede
interna do intestino e podem se transformar em câncer", detalha.
Ele destaca que esse método de diagnóstico é um dos motivos pelos quais
existe um constrangimento em relação ao câncer colorretal.
"Principalmente na população masculina, há um desconforto ao se submeter
a esse exame", observa.
Isso acontece porque o aparelho usado durante o exame é introduzido no
paciente pelo ânus. De acordo com Rodrigues, o instrumento tem uma
câmera em sua extremidade, que permite avaliar toda a parede interna do
intestino grosso e do reto. "Quanto mais tarde o diagnóstico, maior o
risco de falecer, porque a chance de cura acaba diminuindo", lembra o
médico.
Somente a biópsia, feita em um pequeno tecido retirado da lesão, é
capaz de diferenciar um tuor benigno do câncer de colorretal.
Já o exoma é um teste diagnóstico capaz de identificar sindromes
genéticas associadas a este câncer. "Se o paciente tem [a síndrome], ele
deve ser colocado em acompanhamento rotineiro".
Diferentes tratamentos
O tratamento é feito de maneiras distintas. Depende do estágio em que
se encontra o câncer e se está localizado no cólon ou no reto. Rodrigues
afirma que no estágio um, em que a doença é precoce e limitada, é
possível remover o tumor até mesmo por meio da colonoscopia.
Já nos estágios 2 e 3 - quando Chadwick Boseman foi diagnosticado - é
preciso fazer cirurgia para a remoção do câncer e de áreas afetadas e
quimioterapia. "Já no câncer de reto, o paciente recebe radioterapia
antes da cirurgia para tentar diminuir o tumor e, após a operação, faz
quimio", compara Rodrigues.
O câncer do ator já estava em estágio 4 quando ele faleceu, o que
indica que houve metástase, quando o câncer se espalha para outros
órgãos. Nesse caso, o tratamento habitual é a quimioterapia.