A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, negou nesta sexta-feira (13) que exista risco de desabastecimento de combustíveis no Brasil e criticou empresas revendedoras por possíveis práticas de retenção de produtos para aumentar margens de lucro.
A declaração foi feita durante entrevista coletiva, na qual a executiva também afirmou que não há discussão sobre aumento no preço da gasolina neste momento.
Nos últimos dias, surgiram preocupações no mercado sobre a possibilidade de falta de combustíveis, o que teria levado algumas empresas a formar estoques.
Magda, no entanto, contestou essa hipótese e sugeriu que pode haver comportamento especulativo por parte de alguns agentes do setor.
“Como está faltando produto se nós estamos entregando? A gente pode supor que não é falta de produto. É retenção de produto, especulando para aumentar margem. Cabe aos órgãos de fiscalização verificar se isso está acontecendo e tomar as medidas cabíveis”, afirmou.
A presidente da Petrobras também explicou que a estatal perdeu capacidade de influenciar diretamente os preços nos postos após a venda da BR Distribuidora, atualmente chamada Vibra Energia.
Segundo ela, quando a Petrobras ainda possuía participação relevante no setor de distribuição, havia maior capacidade de interferir na formação de preços ao consumidor.
“Quando tínhamos cerca de 26% a 27% do mercado de distribuição, conseguíamos influenciar o preço final. Hoje, sem esse braço chegando ao consumidor, a Petrobras não tem mais esse poder”, disse.
Magda ressaltou ainda que postos que utilizam a marca Petrobras pertencem atualmente à Vibra, empresa que pode definir suas próprias estratégias comerciais.
De acordo com a executiva, em momentos de alta volatilidade no mercado, alguns agentes econômicos acabam ampliando margens de lucro.
Apesar das preocupações do mercado, a presidente da Petrobras afirmou que não foi identificado risco de desabastecimento durante reunião recente no Ministério de Minas e Energia.
Segundo ela, a estatal está entregando volumes de combustível acima do previsto nos contratos com distribuidoras, cerca de 15% a mais do que o programado.
O diretor de Logística da Petrobras, Cláudio Schlosser, explicou que a empresa monitora diariamente os pedidos das distribuidoras e organiza as entregas com base em cotas previamente definidas.
Ele destacou que houve uma situação específica no Rio Grande do Sul, onde foi identificado um déficit pontual de diesel.
Para resolver o problema, a Petrobras realizou um leilão emergencial de diesel S500, reforçando o abastecimento no estado.
Schlosser também apontou que parte do volume de combustíveis destinado ao mercado brasileiro foi redirecionada por empresas para outros destinos em busca de margens maiores.
“Esperávamos receber entre 700 mil e 800 mil metros cúbicos de produto, mas verificamos o desvio de cerca de 250 mil a 280 mil metros cúbicos”, afirmou.
Diante do cenário internacional marcado pela escalada da guerra no Oriente Médio e pela volatilidade nos preços do petróleo, a Petrobras também anunciou medidas para garantir a produção.
Entre elas está o adiamento de paradas programadas para manutenção em algumas refinarias, como a Replan, em São Paulo, cuja manutenção foi transferida de maio deste ano para 2027, e a Repar, no Paraná, cuja revisão foi adiada de abril para meados deste ano.
Segundo a estatal, as decisões buscam assegurar a continuidade da produção e reforçar o abastecimento de combustíveis no país.
FONTE CEARA AGORA
