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| Foto Diário do Nordeste |
O
ano eleitoral de 2026 começou sem trégua no Ceará. Em vez do
tradicional recesso político, janeiro, que ainda nem terminou, foi palco
de declarações contundentes, estremecimentos e ensaios estratégicos com
potencial de ecoar até outubro, mês do pleito.
A
temperatura subiu rápido em um cenário em que há ainda claras conexões
entre personagens que, mesmo em campos políticos opostos, mantém um grau
de relacionamento capaz de gerar incógnitas sobre as definições.
As
declarações na família Ferreira Gomes, os movimentos da oposição e a
entrada definitiva do ministro Camilo Santana no xadrez eleitoral marcam
o início de uma corrida que se desenha acirrada e de intensa disputa de
narrativas.
Trovoada começou em Sobral
O
estopim do janeiro incendiário foi em 6 de janeiro, quando o
ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PSB), anunciou que não tinha mais
compromisso político com o governador Elmano de Freitas (PT). A causa
imediata: a aproximação do Palácio da Abolição com os Rodrigues,
adversários do clã Ferreira Gomes em Sobral.
O
gesto, visto como afronta pelo ex-prefeito, não ficou restrito à Zona
Norte. Ivo fez críticas ao governo e até ao ministro da Educação, Camilo
Santana. Um terremoto político a ser administrado pelo Palácio da
Abolição.
Esse
episódio revelou um cenário de incertezas entre o clã Ferreira Gomes e o
governo do Estado. Com Ciro na disputa pela oposição, não demoraria a
aparecerem as divergências, mesmo que Cid Gomes continue reforçando
apoio a Elmano. Mas nem mesmo ele deixou de mandar seus recados aos
aliados.
Do confronto direto à formação da chapa
No
dia 16 de janeiro, Ciro reuniu forças da oposição e, mesmo ainda não
confirmando ser pré-candidato, sinalizou uma chapa majoritária ao lado
de Capitão Wagner e Roberto Cláudio, com uma segunda vaga ao Senado
aberta como isca para novos aliados. A estratégia é tentar atrair
dissidentes.
A
coesão da frente ainda é instável, principalmente pela dubiedade dentro
da federação União Progressista (União e PP), que se divide entre base e
oposição no Ceará.
Declaração de Camilo gera onda de repercussões
Outro
ponto alto ocorreu no dia 19, quando Camilo Santana anunciou que
deixará o MEC até março para se dedicar às campanhas de Elmano e Lula.
Embora negue planos imediatos de candidatura, o movimento o deixa
disponível para a possível missão eleitoral.
Nos
bastidores, a decisão foi interpretada na oposição como o início formal
da "retomada Camilo" no Ceará. Entre aliados, o caso também repercutiu.
O próprio senador Cid Gomes, em entrevista à mídia nacional,
reconheceu: a saída do aliado do MEC pode criar um “fantasma” para
Elmano.
Elmano busca ancoragem
Diante
das turbulências internas e do crescimento da oposição, o governador
Elmano de Freitas precisa equilibrar o cumprimento da agenda de gestão e
a análise do campo político eleitoral de forma até antecipada. Em 21 de
janeiro, ele reforçou que Camilo será figura central nas articulações
da base aliada.
Há
dois pontos centrais nesta costura: intensificar os contatos para
tentar atrair a Federação União Progressista para a base e,
principalmente, acomodar os interesses para a formação da chapa
majoritária, sobretudo as duas vagas ao Senado.
Uma eleição se desenha acirrada
Janeiro
mostrou que 2026 será uma eleição marcada pela disputa de narrativas e
que os pactos políticos vão caminhar no fio da navalha. De um lado, a
base governista tenta preservar a hegemonia conquistada em 2022, com
Elmano, Lula e Camilo.
Do outro, a oposição liderada por Ciro aposta no antipetismo, na crítica à gestão estadual e na união entre antigos rivais.
O
eleitor, que em outubro terá o poder de decidir os rumos do Ceará,
assistirá a um embate em que alianças, até o último minuto, podem mudar.
