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Foto Reprodução |
Os
pequenos provedores de internet e serviços de telefonia do Ceará seguem
sentindo os impactos dos ataques realizados por grupos criminosos.
Essas
empresas já perderam 10 mil clientes devido às ameaças e ataques
criminosos, segundo a Associação dos Provedores Do Ceará (Uniproce). O
cenário resultou no fechamento de quinze provedores e na demissão de
cerca de 200 colaboradores.
A
Uniproce não informou em quais cidades houve fechamento de empresas e
perdas de contratos. Segundo a associação, não há uma sensação de
melhora na crise de ataques criminosos.
A
Brisanet, uma das grandes empresas de telecomunicações que opera no
Ceará, também registra impactos. A empresa perdeu dois mil clientes em
Fortaleza e em Caucaia em meio aos ataques.
Os
grupos criminosos, principalmente o Comando Vermelho, tem intensificado
ataques a empresas de telecomunicações do Ceará pelo menos desde
fevereiro. Há registros de incêndios a lojas e carros das prestadoras,
além de ameaças aos funcionários.
As
empresas são ameaçadas a se associar aos grupos criminosos, com
pagamento de até 60% dos ganhos para seguir operando. Os criminosos
chegam a prometer que, em caso de acordo fechado, moradores de
determinadas regiões serão ordenados a contratar somente aquela empresa.
Os atos de vandalismo e destruição ocorrem como ameaça ou retaliação em caso de a empresa não aceitar a associação.
PEQUENAS PRESTADORAS SÃO AS MAIS AFETADAS
A
Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações
(Abrint) aponta que a crise é ainda mais alarmante para as empresas de
pequeno porte, que correspondem a 60% da banda larga fixa no Brasil.
Em
caso de perda de infraestrutura seguida de perda de clientes, as
empresas podem não se recuperar financeiramente, já que dependem do
retorno dos investimentos — o pagamento dos contratos.
Uma
das empresas que encerrou as operações foi a GPX Telecom, que atuava há
nove anos no município de Caucaia. A provedora revelou que teve toda a
estrutura destruída, impossibilitando a continuidade do serviço.
“Infelizmente,
em menos de 20 minutos, atos de vandalismo devastaram tudo o que
construímos com tanto esforço e comprometimento, levando-nos a tomar a
difícil decisão de encerrar nossas operações”, afirmou a empresa ao
anunciar o fechamento.
Thiago
Ayub, pesquisador da área de tecnologia da informação, já havia
avaliado ao Diário do Nordeste que o mercado de telecomunicações deve
perder competitividade e qualidade se a situação se prolongar.
“O
Brasil é o país com mais provedores de internet do mundo. Esse mercado
até então próspero criou algo que os brasileiros não estão acostumados:
deflação. Não só há anos o valor médio da internet fixa não muda (em
torno de R$100 mensais) como anualmente os provedores oferecem planos
maiores pelo mesmo preço”, explicou.
O
especialista também destacou a importância dos provedores para gerar
postos de trabalho na área da tecnologia em regiões periférica.
“São
vetores de prosperidade e riqueza para os bairros onde atuam e são
sediados. O fechamento desses provedores impactará na economia local
também pela menor circulação de renda”, apontou.
RECUPERAÇÃO É IMPROVÁVEL
A
Abrint aponta que, sem uma ação energética das forças de segurança, as
provedoras em localidades tomadas pelos grupos criminosos podem não
conseguir retomar os serviços.
Uma
ação integrada de forças de segurança do Ceará realizou a prisão de
pelo menos quarenta suspeitos. As diligências buscam identificar
suspeitos dos ataques e interromper a operação de provedores
clandestinos.