sábado, 20 de junho de 2020

Produção de cloroquina em laboratório do Exército, apoiada por Bolsonaro, pode ter sido superfaturada

Efetividade do medicamento no tratamento para coronavírus não tem comprovação científica  (Foto: Reprodução )A produção de cloroquina em laboratório do Exército pode ter sido superfaturada. O Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército Brasileiro já gastou R$ 1,5 milhão para aumentar sua capacidade de produção de cloroquina. O aumento na produção ocorreu após argumentação feita por Bolsonaro com justificativa de ampla distribuição do medicamento para tratar os pacientes com coronavírus. 

Segundo dados apurados pela ONG jornalística, Repórter Brasil, os gastos do Laboratório do Exército com a produção de cloroquina ou hidroxicloroquina chegam a um total de R$ 1.587.549, 81. Os gastos seriam referentes a compra de mais de uma tonelada de cloroquina em pó e demais insumos para produção do medicamento. O investimento foi pago pelos cofres do Tesouro Nacional por meio de destinação de verbas ao Ministério da Defesa, em decisão que teria sido acordada entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem Partido) e a cúpula militar do atual governo. 
 
Todas os procedimentos de destinação e aplicação das verbas foi feito sem licitação, com a justificativa de uma situação emergencial gerada pela pandemia de coronavírus. Contudo, a falta de comprovação científica da eficácia do medicamento, bem como a ausência de autorização do Ministério da Saúde (MS) para tal produção foram motivos para que o Tribunal de Contas da União (TCU) instaura-se investigação sobre o caso. Na época do corrido o MS era comandado por Henrique Mandetta, exonerado por Bolsonaro após divergencias politicas. De acordo com o portal Folha, o processo deve ser protocolado ainda esta semana.

Na investigação, Bolsonaro será investigado pela má aplicação de recursos públicos, além disso, o TCU trabalha com a hipótese de que houve superfaturamento na compra de insumos para produção do remédio. De acordo com levantamento pela Folha, cada quilograma (Kg) de cloroquina em pó foi comprada pelo exército a um preço seis vezes maior do que o valor original vendido pelo mesmo fabricante, um ano antes. Em compras feitas em março de 2020, o Exército comprou uma tonelada de cloroquina a um valor de R$ 1.304 o kg. Um ano antes, o mesmo fabricante estava vendendo o quilo no valor de R$ 220.

Descobrir de quem e como foi a articulação para autorizar o exército a produzir o medicamento em larga escala também é um dos alvos do processo. O Ministério Público também atuará no caso, cuja investigação deve tratar ainda da possível responsabilidade direta do presidente da República, Jair Bolsonaro no uso indevido de recursos públicos e/ou no superfaturamento das compras.