O Amazonas registrou mais 110 casos do novo coronavírus nesta
terça-feira, totalizando 2.270 relato. Também foram confirmados mais
oito óbitos pela doença, elevando para 193 o total.
A Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), da prefeitura de
Manaus, informou oficialmente que, "com o aumento na demanda do
cemitério público, em consequência da covid-19, e
devido aos consecutivos conflitos entre familiares e a imprensa", o
acesso ao local está restrito "às famílias que forem enterrar os seus
entes queridos, na quantidade máxima de cinco pessoas". "A medida visa a
preservar a privacidade das famílias enlutadas e também considera o
risco de propagação do novo coronavírus."
"Hoje, dos 106 sepultamentos (no Estado), 36,5% das pessoas
morreram em casa. Está se caracterizando certa falência, certo colapso
das possibilidades de atender. Nosso Hospital de Campanha, e a
prefeitura não tem obrigação de cuidar de hospitais, está trabalhando e
bem. Hoje, se não me engano, foram quatro altas. Estamos acolhendo as
pessoas com critério muito rígidos para termos certeza de dominância do
quadro. O número de UTIs está crescendo e as UTIs estão totalmente
lotadas. As quatro vagas abertas com certeza já foram ocupadas", disse o
prefeito Arthur Virgílio (PSDB) nas redes sociais.
A alta nos enterros coincide com o momento em que a ocupação dos leitos
oscila entre 96% e 100%, segundo confirmou a secretária estadual de
Saúde, Simone Papaiz, em boletim do governo. Faltam vagas em leitos
clínicos e, principalmente, nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
Entre casos suspeitos e confirmados de covid-19, 879 pessoas estão
internadas, sendo 262 em UTI.
A diretora da Fundação de Vigilância Sanitária do Estado, Rosemary
Pinto, atribui os números do Amazonas à falta de adesão ao isolamento,
em Manaus. "A Polícia e a Vigilância passam nas áreas de comércios não
essenciais e na hora eles fecham. Duas horas depois, nós voltamos e o
comércio está todo aberto. A população não está aderindo ao 'fique em
casa'."
No Serviço de Pronto Atendimento da Alvorada, zona oeste de Manaus, a
chegada de pacientes é crescente e os relatos são de estrutura precária,
com falta de respiradores e de técnicos para trocar o cilindro de
oxigênio. E os profissionais de saúde também se somam à lista de
doentes: em uma semana, 52 testaram positivo no Amazonas. São 376
afastados. Houve nove mortes — três médicos, quatro técnicos de
enfermagem e um gestor e um profissional de outra categoria.