Milhares de pessoas saíram às ruas em ao menos 11 capitais do país para protestar contra os reajustes da tarifa de ônibus, a repressão policial nas manifestações recentes em São Paulo e para pedir ética na política, investimentos em saúde, educação e transporte, entre outras reivindicações.
Também foram ouvidas palavras de ordem contra a presidente Dilma Rousseff, o deputado Marco Feliciano, governos estaduais e municipais e até contra a PEC 37, que tira o poder de investigação do Ministério Público.
Além de São Paulo, Rio e Brasília, houve protestos nas seguintes capitais: Belo Horizonte, Fortaleza, Vitória, Maceió, Belém, Salvador, Curitiba, Porto Alegre. Há manifestações também em Londrina (PR), Foz do Iguaçu (PR), Indaiatuba (SP) e Juiz de Fora (MG).
Em Belo Horizonte, a marcha rumo ao Mineirão, onde Nigéria e Taiti se enfrentaram pela Copa das Confederações, ganhou corpo durante a tarde. Às 14h, havia 2.500 manifestantes; no início da noite, já eram 15 mil, segundo a PM.
Por volta de 17h15, houve confronto quando um grupo furou o bloqueio montado nas proximidades da Universidade Federal de Minas Gerais. A PM reagiu com gás lacrimogêneo e balas de borracha, enquanto os manifestantes jogavam pedras. Ao menos uma pessoa foi detida.
SALVADOR
Em Salvador, onde o último reajuste de tarifas ocorreu há um ano, cerca de 5.000 pessoas tomaram as ruas.
“Estamos contra tudo que esta aí. Pelo direito de manifestação sem truculência policial.
Em Curitiba
A PM estima em 5.000 os participantes do protesto, que pedem passe livre para os estudantes e a criação de uma empresa pública para gerir o transporte na cidade.
Em Maceió
O foco é a redução da tarifa de ônibus, reajustada recentemente de R$ 2,30 para R$ 2,85 e mantida no menor valor por força de uma decisão judicial.
Em Fortaleza, a maioria das faixas e cartazes traz mensagens de solidariedade aos feridos nos protestos de São Paulo e Rio.
Em Vitória, as palavras de ordem são contra a corrupção e a favor da tarifa zero.
Em Londrina (PR), onde houve recente redução da tarifa do transporte coletivo, os manifestantes pedem melhorias na educação e na saúde. Em um dos cartazes empunhados por manifestantes se lê “Desculpe o transtorno, estamos mudando o país”.
SÃO PAULO
Na capital paulista, a Polícia Militar aponta cerca de 30 mil pessoas no protesto que se concentrou no largo da Batata, na região de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O Datafolha, no entanto, aponta que o número é de aproximadamente 65 mil pessoas.
Após a concentração no largo da Batata, o movimento decidiram dividir a passeata em dois grupos. Uma parte foi pela av. Rebouças sentido marginal Pinheiros, e outra pela av. Faria Lima. Inicialmente, um grupo liderado pelo partido PSTU disse que seguiria em direção à avenida Paulista, mas desistiu do trajeto.
As últimas manifestações do grupo foram marcadas por confrontos com a Polícia Militar. O último caso ocorreu na quinta-feira (13), quando houve confusão na rua da Consolação, na região central. Segundo organizadores, ao menos cem pessoas ficaram feridas e mais de 200 foram detidas. Dentre jornalistas, houve 15 feridos, sendo sete da Folha.
Para esta segunda-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que a Polícia Militar não usará balas de borracha contra os manifestantes.
“Nós acreditamos em uma manifestação pacífica e organizada, em que a polícia vai apenas ordenar para que ela aconteça”, disse o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira.