Apesar de estar preso há mais de um ano no Presídio Militar Romão Gomes, o acusado de matar Mércia Nakashima, Mizael Bispo, tem até hoje fama de “folgado” e não mantém bom relacionamento com os colegas dentro da cadeia. Dias antes do julgamento do policial militar reformado, a reportagem entrou na penitenciária na zona norte de São Paulo, visitou algumas alas do local e ouviu de detentos que o réu “aprontou bastante lá dentro”. De acordo com os presos, Mizael sempre foi “folgado” e se sentiu dono de si. Um dos detentos diz acreditar que ele teria esse comportamento pelo fato de “ser estudado”.
O réu, que foi cabo da Polícia Militar, é também advogado. No entanto, ele não seria o único com ensino superior a cumprir pena no Romão Gomes, diz o detento. Diante de tal postura, não foram poucas as vezes que Mizael Bispo “levou coça” de outros detentos dentro do presídio. Uma delas teria sido quando roubou um pedaço de bolo de um colega. Por conta da briga, Mizael e o outro detento tiveram suspenso o direito a visitas. Um dos presos ouvidos contou que, em outro episódio, um detento que estava sendo transferido de cadeia, ao cruzar com Mizael, “fez questão” de dar um soco no ex-PM antes de deixar o presídio Romão Gomes.
Isolamento - Hoje, o acusado de matar Mércia Nakashima vive sozinho em uma cela. “Ele baixou mais a bola” depois de ser hostilizado na cadeia, diz um dos detentos.
Defesa - O advogado de defesa Ivon Ribeiro negou que Mizael tenha tido o comportamento traçado pelos colegas de presídio. Para ele, a figura da arrogância vem do fato de ele ser “a única pessoa com grau superior”.
Acusação - O promotor do caso afirmou que tem conhecimento das confusões em que Mizael Bispo esteve envolvido durante este período no Romão Gomes e que essas informações fazem parte do processo.