quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Febre entre famosos, tatuagem com anestesia geral vale o risco?

Médico explica como funciona o procedimento anestésico para quem deseja fazer grandes tatuagens sem sentir dor e avalia os riscos e cuidados para o paciente.

DJ Luccas Pombal e Mc Pedrinho: famosos têm recorrido a anestesia geral para fazer ou completar tatuagens — Foto: Reprodução/Instagram

DJ Luccas Pombal e Mc Pedrinho: famosos têm recorrido a anestesia geral para fazer ou completar tatuagens — Foto: Reprodução/Instagram

Ter medo da dor causada por uma agulha de tatuagem não é novidade para quem já tatuou alguma parte do corpo — ou quem, no mínimo, considerou essa possibilidade. Só que a vontade de não sentir nenhuma dor ou incômodo durante o procedimento tem feito uma parcela cada vez maior de pessoas — incluindo famosos — a recorrerem a uma solução específica: se submeterem a anestesia geral para tatuarem completamente anestesiados e inconscientes.

Apesar de ter se popularizado, o procedimento traz riscos e, vale frisar, não é sancionado pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia.

"A Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) não recomenda o uso de qualquer tipo de anestesia para tatuagem. Reiteramos que a segurança da anestesia está relacionada a ser administrada por um profissional médico com especialização em anestesiologia", informa a entidade em comunicado oficial.

Ainda assim, restam muitas dúvidas: como funciona o processo de uma tatuagem sob anestesia geral? Quais os riscos e cuidados? Para sanar essas e outras dúvidas, conversamos com o médico Luis Antonio dos Santos Diego, presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Confira!Igor Kannário, Jesus Luz, Oruam e Rafaella Santos: famosos têm recorrido a anestesia geral para realizar tatuagens — Foto: Reprodução/Instagram

Igor Kannário, Jesus Luz, Oruam e Rafaella Santos: famosos têm recorrido a anestesia geral para realizar tatuagens — Foto: Reprodução/Instagram

Como funciona o processo de uma tatuagem sob anestesia geral?

"A realização de anestesia para tatuagens deve obedecer às normas vigentes determinadas pelo Conselho Federal de Medicina. A SBA entende que é um procedimento doloroso. Entretanto, até o momento, a administração de anestesia está condicionada à presença de pelo menos dois médicos: o anestesiologista e o profissional que realiza o procedimento cirúrgico ou diagnóstico", frisa Luis Antonio.

Dessa forma, não sendo profissional da área médica, um tatuador não tem permissão legal para realizar procedimentos de tatuagem dentro de ambientes ambulatoriais ou hospitalares.

Quais os riscos desse tipo de procedimento?

"Em relação aos riscos do procedimento, podemos afirmar que são exatamente os mesmos que observamos em quaisquer pacientes que irão se submeter a outros tipos de cirurgias e intervenções. Há fatores relacionados aos procedimentos, como a intensidade e extensão da intervenção, e fatores relacionados às condições físicas do próprio paciente, como a presença de doenças que possam comprometer e até impedir a realização e adiamento de procedimentos eletivos", explica Luis Antonio.

Quais os cuidados que devem ser tomados? Como é o passo a passo?

Para Luis Antonio, é importante que haja uma avaliação prévia do paciente. "Caso a realização do procedimento de tatuagem obedeça às normas vigentes, o paciente deve ser previamente avaliado pelo anestesiologista, preferencialmente em consulta ambulatorial prévia à internação (em hospital ou unidade ambulatorial, conforme a situação). Na ocasião, cabe ao anestesiologista, após cuidadosa entrevista e exame físico, decidir sobre a necessidade da realização de exames complementares ou não. O anestesiologista também poderá requerer o parecer de um outro médico, como um cardiologista, por exemplo, caso necessite de informações mais detalhadas sobre o estado funcional do paciente", detalha o médico.

Como é o pós? Quais os cuidados devem ser tomados?

Segundo o médico, o pós-operatório é semelhante ao de uma cirurgia sob anestesia. "Também devem ser considerados as condições clínicas prévias do paciente, assim como o grau de intervenção, o qual pode determinar maior ou menor grau de dor e outros eventos", frisa o especialista.