
Em sua decisão, a juíza Raquel Soares Chiarelli também impôs uma multa
de R$ 50 mil ao diretor do hospital por cada paciente que tiver a
informação sonegada.
Além de Bolsonaro, integrantes da comitiva presidencial que
acompanharam o presidente da República em viagem aos Estados Unidos
também fizeram exames no HFA.
"Já é notório que a devida identificação dos casos com sorologia
positiva para a covid-19 é fundamental para a definição de políticas
públicas para o enfrentamento urgente e inadiável da pandemia, a fim de
garantir a preservação do sistema de saúde e o atendimento da
população", escreveu a juíza em sua decisão.
"De modo que não se justifica, sob nenhuma perspectiva, a negativa da
União em fornecer essas informações ao Distrito Federal, que tem
competência constitucional para coordenar e executar as ações e serviços
de vigilância epidemiológica em seu território."
Nesta sexta-feira, Bolsonaro voltou a minimizar pandemia do novo
coronavírus, que já matou mais de 10 mil pessoas no mundo, e tratou a
doença como uma "gripezinha". "Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar",
disse o presidente após o Estado questioná-lo, em entrevista no Palácio
do Planalto, a razão de ele não tornar público os resultados dos seus
exames.
O jornal O Estado de S. Paulo pede há uma semana a Secretaria de
Comunicação da Presidência (Secom) que apresente os resultados do exames
já feitos pelo presidente, mas até esta sexta-feira não obteve
resposta.
Membros da comitiva infectados
Ao todo, 22 pessoas que acompanharam Bolsonaro na viagem que fez aos
Estados Unidos, na semana passada, contraíram o coronavírus. Entre eles,
assessores próximos e o ministro do Gabinete de Segurança
Institucional, general Augusto Heleno, que se reuniu três vezes com
Bolsonaro no dia anterior a ser diagnosticado com a doença.
Bolsonaro teve contato com auxiliares que já foram diagnosticados com o
coronavírus nos últimos dias, como o secretário de Comunicação, Fabio
Wajngarten, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI),
Augusto Heleno. Segundo divulgou em suas redes sociais, porém, os dois
primeiros testes feitos pelo ele deram negativo.
O presidente voltou a afirmar que, caso receba orientação médica,
poderá fazer um novo exame. Mais cedo, ele afirmou que pode já ter
contraído o vírus. "Fiz dois testes, talvez faça mais um até, talvez,
porque sou uma pessoa que tem contato com muita gente. Recebo orientação
médica", disse ele ao deixar o Palácio da Alvorada pela manhã. "Toda
família deu negativo aqui em casa. Talvez eu tenha sido infectado lá
atrás e nem fiquei sabendo. Talvez. E tô com anticorpo."
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que acompanhava Bolsonaro
na entrevista no Planalto, defendeu o sigilo sobre os resultados dos
exames. "Os exames do paciente são do paciente. São da sua intimidade. A
gente não faz divulgação nem do seu, nem do meu, nem do de ninguém",
disse Mandetta.
O contato com uma pessoa infectada é uma das formas de transmissão do
coronavírus. O presidente foi criticado por infectologistas e até por
aliados por expor os manifestantes ao risco de contaminação pela
covid-19.
Mesmo assim, o presidente disse que pretende manter sua rotina de
trabalho. Bolsonaro disse que fará uma festa de aniversário em casa,
restrita a familiares, para comemorar os 65 anos completados neste
sábado.