Na expectativa de conquistar bons contratos, jogadores e seus familiares se enrolam em tenebrosas transações acreditando em bons negócios. São atraídos por empresários e intermediários, às vezes desconhecidos, que acenam com promessas de “melhorar a imagem” do atleta para ajudá-lo a conquistar uma vaga na Seleção Brasileira, como se a escalação dependesse de marketing e de prestigio junto aos cartolas da CBF.
Sonhando com a amarelinha, eles firmam acordos e gastam altas quantias sem qualquer garantia real de cumprimento das promessas. Em um destes casos, o contrato assinado e não cumprido virou briga judicial com direito a reclamação criminal no DEIC e ação de ressarcimento na 9ª Vara Cível do fórum regional de Santana. Por enquanto, nenhuma das duas iniciativas gerou resultado.
Severino Vieira da Silva, 52 anos, pai do meia Willian, 24 anos (ex-Corinthians e Shakhtar, hoje no Anzhi, da Rússia), desde setembro de 2011 tenta reaver os R$ 100 mil entregues um ano antes, como primeira parcela de um total de R$ 500 mil, em um destes contratos.
O acerto foi com Luiz Phillippe Gomes Rubini, da One Off Marketing Esportivo Ltda., que diz empresariar “por volta de 20 atletas, como o Cicinho, do Sevilla”. O objetivo do negócio era melhorar a imagem de Willian “visando à promoção do mesmo, até possível convocação para a Seleção Brasileira”.
Os dois, segundo Rubini, se conheceram ao residirem em um mesmo prédio em São Paulo. Mas, a One Off foi só intermediária, pois repassou imediatamente o contrato firmado com a firma do pai de Willian, a Sport Mundial Administração Marketing e Negócios Esportivos Ltda., para o ex-jogador Jorge Luiz Flores da Silva.
Dono da JF Proffi Futebol Marketing e Assessoria Esportiva Sociedade Simples Ltda., Jorge Luiz era um desconhecido. Rubini o conheceu ao lhe ser apresentado “por um cara de Curitiba, que falou que este cara era o cara”. Não procurou detalhes da empresa de Jorge. Respaldado apenas na apresentação e na promessa de melhorar a imagem de Willian e fazê-lo chegar à Seleção foi que, em 25 de novembro de 2010, após a Sport Mundial contratar a One Off pelos R$ 500 mil, pagando R$ 100 mil como sinal, esta repassou a tarefa – e o dinheiro – para Jorge Luiz.
A terceirização, segundo Rubini, tinha o apoio de Severino: “eu ia intermediar o que outras pessoas iam fazer, porque ele não queria aparecer. Ele queria que eu fizesse este trabalho, até para não gerar um vínculo de ele ser o pai”, explicou.