A viagem foi confirmada pela Casa Branca na terça-feira (5). O embarque do presidente brasileiro está previsto para às 13h, no horário de Brasília, com chegada à capital dos Estados Unidos por volta das 20h e desembarque na Base Aérea de Andrews. O retorno ao Brasil deve ocorrer logo após o encontro.
A reunião entre Lula e Trump é classificada como uma "visita de trabalho", formato mais enxuto e menos formal. A pauta inclui temas econômicos e de segurança, com ênfase no combate ao crime organizado.
Auxiliares da Presidência da República afirmam que Lula pretende afastar a possibilidade de equiparação de facções criminosas a organizações terroristas. Reportagem publicada pelo The New York Times em março deste ano apontou que o Departamento de Estado vinha avaliando classificar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, após contatos com filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Casa Branca não confirmou a informação, mas Trump lançou uma campanha para designar grupos criminosos da América Latina como terroristas.
O receio do Palácio do Planalto é que uma eventual classificação abra margem para ações mais duras por parte dos Estados Unidos, com possíveis pressões de caráter intervencionista. Exemplos recentes na América do Sul e Caribe, em que enquadramentos semelhantes foram usados para justificar operações internacionais, aumentam a preocupação do governo brasileiro.
Em agosto do ano passado, os Estados Unidos enviaram 4 mil fuzileiros navais para o Caribe, para enfrentar cartéis de drogas, vários dos quais já haviam sido incluídos por Washington na lista de organizações terroristas.
Em dezembro de 2025, a Colômbia acusou os Estados Unidos de bombardearem um laboratório de produção de cocaína na cidade venezuelana de Maracaibo.
Lula quer mostar que o Brasil enfrenta o crime organizado como uma prioridade e defender a cooperação bilateral como um caminho possível. Ambos já trataram do assunto em conversas anteriores, especialmente em relação ao combate à lavagem de dinheiro.
Em entrevista à GloboNews na segunda-feira (4), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou a prioridade dada pelo governo ao tema. Segundo ele, há uma parceria com os Estados Unidos na área aduaneira para barrar a entrada de armas e drogas.
De acordo com autoridades americanas, a situação na Venezuela também deve entrar na pauta.
Minerais estratégicos
Além disso, os dois líderes devem discutir comércio e parcerias estratégicas, incluindo acordos envolvendo minerais críticos, que são a base da indústria global. Nesse contexto, o governo brasileiro defende que recursos como lítio, nióbio, terras raras, níquel, cobre e grafite, considerados estratégicos, sejam utilizados para impulsionar cadeias produtivas de maior valor agregado no país, em áreas-chave como baterias para carros elétricos, geração de energia limpa, indústria de semicondutores e tecnologias de defesa.
São esses setores que concentram a disputa global por desenvolvimento tecnológico no século 21. No centro da agenda brasileira está a tentativa de não repetir o modelo histórico de exportador de matéria-prima, buscando transformar a riqueza mineral em vetor de industrialização e inovação.
O encontro é visto pela diplomacia brasileira como uma tentativa de reaproximação entre Brasil e Estados Unidos após um período recente de tensões, marcado por disputas comerciais e políticas.
No ano passado, Trump impôs tarifas a produtos brasileiros e sancionou o ministro do STF Alexandre de Moraes, em retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. As medidas foram posteriormente revertidas após negociações entre os dois presidentes.
FONTE TERRA