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| Foto Fabiane de Paula |
Uma
egressa da escola pública e filha de pescador agora ocupa o principal
cargo da educação no Ceará. Desde 10 de abril, a professora Jucineide da
Costa Fernandes, natural de Icapuí, no Litoral Leste, está à frente da
Secretaria Estadual da Educação (Seduc), onde já atuava desde 2021 como
secretária executiva de Ensino Médio e Profissional.
Ela
assumiu a pasta em um cenário marcado por avanços e desafios acumulados
nas últimas décadas, em um ano eleitoral e com uma meta central já
delimitada e em andamento: universalizar o ensino em tempo integral,
ampliando a jornada em pelo menos 682 escolas da rede.
Jucineide
hoje lidera uma secretaria responsável por 766 escolas, das quais mais
de 530 já funcionam em tempo integral. Esse conjunto reúne diferentes
modelos:
Escolas de tempo integral (sem formação profissionalizante);
Escolas de educação profissional (que une ensino médio à formação técnica);
Escolas do campo;
Escolas militares; e
Escolas quilombolas.
Todas adotam a permanência dos estudantes em dois turnos, com jornadas diárias que variam entre 7 e 9 horas.
Antes
de assumir o comando da Seduc, onde era considerada a “número 2” da
gestão, Jucineide construiu uma trajetória na própria rede estadual.
Professora efetiva desde 2004, iniciou a carreira na Escola de Ensino
Médio Gabriel Epifânio dos Reis, em sua cidade natal, onde também cursou
toda a educação básica na escola pública.
Em
entrevista ao Diário do Nordeste, na última sexta-feira (17), Jucineide
falou sobre temas urgentes na educação do Brasil e do Ceará, e que em
2026 devem ser alvo de mudanças, como o avanço da universalização do
tempo integral no Estado, uma promessa do atual governo; a formulação do
Plano Estadual de Educação (PEE), que norteará os rumos da área na
próxima década no Ceará; e o concurso para professores na rede estadual.
Ela
também tratou das atualizações amplamente demandadas em avaliações
externas, como o Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do
Ceará (Spaece) - da rede estadual - e o Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Básica (Saeb) - do Governo Federal, que medem e indicam a
qualidade do ensino ofertado no Estado.
A
secretária também respondeu sobre os preparativos para tornar o Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem), um componente dessa avaliação, além de
porta de entrada na universidade, conforme proposto pelo governo Lula.
Como
meta, a secretária aponta encerrar o ano com o novo PEE aprovado, já
que o atual vale até o fim de 2026; garantir a construção e entrega de
mais de 100 escolas de tempo integral, fazendo com que cidades como
Barreira, Pindoretama e Tururu, que hoje não têm nenhuma escola do tipo
na rede estadual, passem a ter.
É
uma gestão de continuidade, reitera, e é da própria trajetória que ela
acredita ter a consciência necessária para a tomada de decisão. “Eu
compreendo não só na teoria mas na prática, a importância da educação
para a mobilidade social, para a garantia de oportunidades”, reforça.
