Uma forte chuva que começou ainda na tarde de domingo já deixou 16 mortos em Petrópolis, na região serrana do Rio, uma das cidades mais castigadas pela tragédia de janeiro de 2011, quando mais de mil pessoas perderam a vida em meio a uma enxurrada sem precedentes. Ao longo de diversas regiões da cidade, o cenário era de muita destruição e sujeira, devido a lama que se espalhou por diversos pontos. A água começou a cair de maneira mais intensa por volta das 17h de domingo, um dia depois do aniversário de 170 anos da cidade, e só diminuiu de intensidade na tarde desta segunda-feira.
A Defesa Civil de Petrópolis recebeu 272 ocorrências nesse período. Houve também o transbordamento dos rios Quitandinha e Piabanha, que cortam vários bairros, além do Centro Histórico.
A maioria das vítimas morreu soterrada dentro de suas casas. Duas das vítimas eram agentes da Defesa Civil, que atuavam no atendimento de uma ocorrência, ainda nas primeiras horas da madrugada.
As mortes aconteceram nos bairros Quitandinha, Morin, Alto Independência e Doutor Thouzet. Além disso, mais quatro vítimas foram registradas nas margens da BR-040.
A mulher contou que seu marido chegou a sair de casa para ajudar os vizinhos, mas quando viu o tamanho do deslizamento acabou retornando, para evitar que se tornasse outra vítima.
Pouco mais de dois anos atrás, em Petrópolis, morreram 71 pessoas na maior tragédia climática da história do Brasil. Os números foram maiores nas vizinhas Nova Friburgo e Teresópolis, que registraram 426 e 379 mortos, respectivamente. Na chuva de agora, a região do Vale do Cuiabá, a área petropolitana mais afetada em janeiro de 2011, praticamente não registrou incidência de chuvas.
De acordo com a Defesa Civil, o volume de chuva das últimas 24 horas, em Petrópolis, superou em sete das 19 estações de medição, os 270 milímetros, volume esperado para todo o mês de março. O Quitandinha, por exemplo, por volta das 16h de hoje, apresentava 416 milímetros.
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, viajou para a cidade, e de lá passou a coordenar junto com a prefeitura local, os trabalhos de resgate e limpeza.
O governo do Estado destinou R$ 3 milhões ao município.
Além dos incidentes registrados em Petrópolis, também houve extravasamentos de rios em Nova Friburgo e Duque de Caxias. O distrito caxiense de Xerém, atingido em janeiro por um forte temporal voltou a sofrer com alagamentos.