No apoio incondicional dos pedetistas à pretensa reeleição do
governador Camilo Santana (PT), no pleito deste ano, está implícita a
reciprocidade deste ao candidato Ciro Gomes (PDT) à Presidência da
República. Assim, têm certeza os pedetistas, no palanque de Camilo não
haverá espaço para alguém falar em outro presidenciável, apesar de a
coligação a ser efetivada pelo chefe do Executivo, até o fim do prazo
para a realização das convenções partidárias, agosto próximo, poder
reunir partidos com candidatos próprios à sucessão do presidente Michel
Temer.
O projeto do PDT, sob a liderança de Cid Gomes, é garantir uma
expressiva maioria de votos no Ceará para Ciro Gomes, daí admitir-se não
haver concessão para qualquer aliado pedir, explicitamente ou não, voto
para outro presidenciável.
O senador Eunício Oliveira (MDB), no momento oportuno, será
cientificado dessa situação, embora já tenha percebido que o seu
acolhimento ao grupo, para compor a chapa majoritária, juntamente com
Cid Gomes, disputando as duas vagas no Senado, tenha essa condicionante.
Ele poderá até nem pedir votos para Ciro, mas não lhe será permitido
defender, no palanque, outro nome para presidente.
A propósito, afora essa situação, não há mais qualquer óbice para todos
os políticos do MDB, do PT e do PDT, anunciarem que o senador,
presidente do Congresso Nacional, está no bloco estadual governista. O
temor da reação dos eleitores com essa aliança, depois da troca de
acusações entre eles, durante aproximadamente quatro anos, desapareceu.
Alguns poucos burburinhos, até a realização da convenção homologatória
da aliança não mudarão os entendimentos já acertados. O compromisso de
Eunício com Lula, por certo, é menos importante que o seu projeto de
reeleição, mesmo tendo sido Lula um dos fiadores da aproximação do
senador ao governador.
Petistas mais próximo a Camilo reconhecem a significação do apoio dos
irmãos Cid e Ciro Gomes, para o projeto do governador. Ao tempo que
guardam na lembrança o distanciamento de Lula, quando ainda no auge de
sua força política, da campanha de Camilo para ser governador do Ceará.
Se ele fosse depender do ex-presidente, dizem alguns, não estaria onde
está.
Propósito
Lula teria impedido até a ex-presidente de Dilma Rousseff, disputando a
reeleição, de vir ao Ceará, na campanha de 2014, apesar de toda a
atenção que ela dispensava ao ex-governador Cid Gomes, a quem fez
ministro da Educação.
Toda a consideração emprestada por Camilo a Lula, nos últimos tempos,
entendem alguns, tem o propósito de credenciá-lo a poder aproximar
petistas a Ciro Gomes, ciente da impossibilidade de Lula ser candidato,
agora, principalmente, após a sua condenação em processo crime,
tornando-o inelegível por imposição da Lei da Ficha Limpa.
Mesmo antes desse quadro, Camilo já defendia o apoio do PT a Ciro, ao
ponto de ter sugerido o nome do ex-prefeito de São Paulo, Fernando
Haddad, como vice de Ciro Gomes. Realmente, Camilo precisa ser agradável
ao PT, pois sem o aprovo do partido no Ceará, ele não poderá ser
candidato, a não ser por outra agremiação que venha a se filiar até o
início de abril vindouro.
O PDT cearense, realmente, não está preocupado com a relação do
governador com a postulação de Ciro. O reiterado discurso de Camilo
sobre gratidão e lealdade, soa como recado de comprometimento. Ademais, a
consciência de deter uma expressiva força político-eleitoral, o deixa
convencido de ter no governador o seu primeiro aliado. As atenções dos
pedetistas estão realmente voltadas, agora, para o avanço dos
entendimentos mantidos pelo presidente nacional da agremiação, Carlos
Luppi, com representantes de outras siglas, buscando alianças.
As indefinições que permeiam o ambiente político brasileiro ainda não
permitem fechamentos de acordos, embora as conversas tornem mais
próximos os de ideias parecidas. A missão de Ciro, até o momento do
fechamento das alianças, é fazer o maior número de pronunciamentos
possíveis pelo País.